Ao longo da minha jornada (e já lá se vão décadas entre o design, a comunicação e a tecnologia), aprendi que criar experiências que realmente geram valor emocional é muito mais sobre gente do que sobre ferramenta.
A tecnologia, por exemplo, é um meio; o que importa é o que ela desperta.
No começo, eu acreditava que o bom design era aquele que “resolvia o problema”. Depois, percebi que ele só cumpre inteiramente seu papel quando toca o usuário, quando ele se vê ali, quando sente que aquela “interface” — que pode ser uma marca, um cartaz, um site, um app ou um game — entende suas dores, seus desejos e até suas pequenas alegrias cotidianas. É nessa hora que o design deixa de ser “frio” e passa a ser humano. Tudo é experiência. E toda experiência precisa ser focada no ser humano.
Hoje, quando penso em construir uma experiência – qualquer uma, penso em três níveis, como propôs Don Norman. O primeiro é o visceral: o que encanta à primeira vista, o que causa impacto visual e desperta o instinto. O segundo é o comportamental: a fluidez, a usabilidade, o prazer de fazer algo e perceber que o sistema entende você. E o terceiro é o reflexivo: o sentido, o propósito, o porquê de ela existir. Quando esses três níveis se encontram, a experiência vira lembrança. E lembrança é emoção armazenada.
Criar valor emocional é, no fundo, criar confiança. É desenhar o invisível: as sensações, os gestos, os intervalos. É pensar no sorriso que um pequeno feedback animado pode causar, na segurança de um botão bem posicionado, na história que faz o usuário se reconhecer naquela marca.
Depois de tantos anos, o que eu percebo é simples: não existe experiência sem emoção. Emoção é a essência de “ser humano”.
E, dessa forma, aprendi que a emoção é o verdadeiro código-fonte de qualquer design que importa.
6 meses atrás
Design é emoção. Simples assim
