Se existe algo mais transversal que a tecnologia, talvez só a comunicação e o design.
A comunicação, porque é simplesmente indispensável — quem não se comunica, se trumbica! (já dizia o sábio Chacrinha, lá do século XX 😄).
E o design… ah, o design! Ainda tem gente que insiste em colocá-lo no fim do processo, como se fosse a “última etapa”. Mas ele está lá desde o começo, mesmo que de forma abstrata, no planejamento de produtos, serviços e até de empresas inteiras.
Recentemente, a TIRio, instituição da qual sou diretor de comunicação, lançou o Mapeamento do Setor de Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, um estudo robusto com dados muito significativos sobre o setor no estado.
O lançamento aconteceu na PUC-Rio, e o material traz uma radiografia completa do ecossistema fluminense: empresas, empregos, startups, educação, investimentos, desafios e oportunidades.
E eu acredito que a comunicação e o design podem (e devem) olhar para esses números de uma forma mais particular, percebendo neles não apenas estatísticas frias, mas pistas sobre comportamento, cultura e linguagem de um setor que está moldando o presente e o futuro.
Afinal, conhecer o mercado é o primeiro passo para criar conexões reais, e quem conhece o cliente e o mercado do cliente, sai na frente.
O Mapeamento vai gerar várias leituras, conforme o viés de cada olhar.
Mas uma delas, marcante, é a do nosso campo: como a comunicação e o design podem fazer a diferença em um setor que cresce, se reinventa e se digitaliza a cada dia.
O mercado de tecnologia é, hoje, um dos maiores clientes da comunicação e do design.
Basta olhar para termos como CX, UI, UX, especialidades que nasceram dentro da tecnologia, mas que sempre estiveram presentes no design editorial, nos layouts de revistas, jornais e folhetos. A diferença é que agora os conceitos evoluíram, ganharam escala e sofisticação.
A tecnologia ampliou o espaço do design ao levar a competição de produtos e serviços para o terreno da usabilidade, abrindo a caixa de Pandora da escolha do usuário 😄.
E se comunicação e design enxergam o tamanho desse mercado, precisam conhecê-lo. Precisam entender as demandas, os problemas e as regionalidades.
É puro business, mas com alma criativa.
Só pra ter ideia: são 32.664 empresas ISSTIC no estado.
Olha o tamanho desse mercado! Esse povo precisa de nós.
A Indústria de Software, por exemplo, saltou de 13.072 empresas em 2021 para 17.444 em 2024, tornando-se predominante e representando mais de 53% do setor em 2025.
Um setor que precisa investir em design, em UI/UX, em diferenciação.
No universo das startups, o modelo mais comum é o SaaS (Software as a Service).
O que isso significa? Que os desafios são diários: convencer o cliente a renovar o plano, assinar o anual, manter o engajamento. E onde está o diferencial percebido?
Nos recursos, sim, mas principalmente na facilidade de uso. E é aí que entramos nós.
É o design que constrói essa facilidade, que transforma o complexo em simples, o técnico em experiência.
E a área de educação, então? Vai ter de rebolar.
O próprio Mapeamento mostra que, para sustentar esse crescimento, a formação de talentos é crucial.
O Rio está em 6º lugar em número absoluto de cursos ISSTIC presenciais, mas apenas em 19º em proporção de cursos de TIC. O EaD cresce 15 vezes mais rápido, é mais inclusivo, mas também enfrenta altos índices de evasão.
E isso abre novas frentes de trabalho para comunicação e design: como ensinar melhor, engajar mais e tornar o aprendizado digital mais humano?
Resumindo: vale olhar com atenção pra esse Mapeamento.
O futuro do mercado de comunicação e design pode estar profundamente entrelaçado com o futuro do mercado de tecnologia, e quem entender isso primeiro vai sair na frente — de novo.
E, para quem quiser conhecer e analisar o Mapeamento, ele está aqui: https://www.ti.rio/mapeamento-da-ti-do-estado-do-rio-de…/
